O pecado do outro só é escandaloso porque o seu ainda está escondido.
Há uma tendência natural no coração humano de enxergar com nitidez o erro alheio, enquanto justifica o próprio. Quando o pecado do outro se torna público, nossa reação muitas vezes é de espanto, reprovação ou até indignação. Mas, como lembra Jesus em Mateus 7.3-5:
“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, mas não percebe a trave que está no seu próprio olho? [...] Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu olho e, então, você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.”
O escândalo, na verdade, não está no pecado do outro, mas em nossa falta de misericórdia. Quando esquecemos que todos carecem da graça de Deus (Romanos 3.23), passamos a medir o outro com uma régua que jamais aplicaríamos a nós mesmos.
Enquanto o nosso pecado permanece escondido, o orgulho nos dá a falsa sensação de pureza. Mas o Evangelho revela que todos nós precisamos ser expostos — não para a vergonha, mas para a cura.
“Quem encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” (Provérbios 28.13)
Portanto, antes de condenar o outro, olhe para dentro. A mesma cruz que perdoa o pecado alheio é a que perdoa o seu. A graça de Deus não faz distinção entre pecados visíveis e ocultos. Todos somos alcançados pela mesma misericórdia.
"O pecado exposto pode ser o início da restauração; o pecado escondido, o início da ruína."